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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Entrevista: Arlindo Grund



Entrevistamos o Arlindo Grund, apresentador do programa Esquadrão da Moda do SBT e consultor de moda. Essa é apenas uma das muitas entrevistas que, se Deus quiser, vocês vão conferir aqui no In Moda.


Queremos aproveitar aqui a opinião do Arlindo sobre moda inclusiva e lançar a primeira enquete do blog. Então, assistam e, nos comentários, digam se vocês concordam ou não com ele e o que vocês acharam da entrevista.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Entrevista com Drika Valério

Como já dissemos  e mostramos antes aqui no blog, a vencedora da 4ª edição do Concurso de Moda Inclusiva, que rolou ano pasado foi a Drika Valério. Mas nós não podíamos ficar só nas fotos, então você confere abaixo a entrevista que fizemos com ela.


Drika
 

In Moda- Drika, como surgiu a ideia do vestido de noiva que você levou ao desfile do Concurso?

Drika - Bom,  tudo surgiu na época do TCC. E eu louca com um monte de ideia, querendo fazer tudo ao mesmo tempo. E tava bem na época do casamento real e todo aquele glamour com o vestido da princesa, e eu: Gente, eu quero fazer um vestido de noiva! – Mas eu ficava pensando: um vestido de noiva... De que isso vai servir pro mundo? Né? Eu queria fazer  uma coisa diferente e não conseguia ter ideia de um vestido de noiva diferente. E colorido já existe, assim já existe e de arrancar a saia já existe. O que  é que eu vou fazer? Até que um amigo pegou e sugeriu: Por que é que você não trabalha...esquece isso e trabalha com moda inclusiva? Aí, eu fui atrás, aperfeiçoei a ideia e falei assim: Não, eu não vou abandonar o que eu queria. Então vamo unir o útil ao agradável. Vamo trabalhar com moda inclusiva, mas de um jeito que chame a atenção: vestido de noiva! Que é uma coisa que ainda não tem! Aí, eu resolvi fazer um vestido de noiva inclusivo, só que focado pra inclusão, que é o que o pessoal ainda não entende hoje em dia. Inclusivo não é roupa pra deficiente, é roupa também pra deficiente, é pra todos! Que tanto uma pessoa sem deficiência ou com deficiência vai poder usar. Aí é que tá o diferente.

In Moda - Resolvida essa parte, como foi o processo de execução dessa ideia?

Drika - Eu não tive um centavo de gasto em toda essa ideia e nem quando eu vim pro concurso também. Eu podia pedir pra minha mãe pagar a passagem, e tudo, mas eu falei: Não é justo! Eu ganhei, então eu vou dar um jeito de ganhar as passagens também. – Com o vestido foi a mesma coisa. Eu tive a ideia do vestido, desenvolvi, desenhei, peguei um pedaço de um tecido, cortei e fiz pruma boneca, pra testar na boneca a peça piloto. Aí, falei: Vamo executar. Mas vamo fazer um vestido de noiva e vamo fazer bem feito. – Um vestido de noiva não é barato. Eu não tenho como pagar. O que é que a gente vai fazer? Fui lá, pesquisei as dez lojas de noiva que eu mais gosto em Bauru, que eu acho que são as melhores e falei: Vamo primeiro na melhor, aí depois a gente vai indo nas outras, né? Uma delas tem que topar. Não é possível tomar dez nãos, né? – E fui! Com a cara e com a coragem, sem saber nem o que pedir exatamente. Cheguei: Ó, meu projeto é esse. – Na primeira loja, que é a Lauviah Ateliê, lá de Bauru, na hora eles toparam! A melhor loja que eu achei, na hora eles assumiram a ideia e me ajudaram a desenvolver o croquí e fizeram o vestido... E descobriram que eu sei costurar, então  eu ajudei a costurar até certas partes do vestido por que é lógico que é complexo. E ele foi todo bordado com Swarovski e pérola sintética. Foi a coisa mais linda do mundo! Ficou um vestido de princesa mesmo. E depois eles me doaram o vestido porque ele tem que ficar pro acervo da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiencia aqui de São Paulo. Ou eu mandaria fazer outro, que eu não tinha dinheiro , ou eu tinha que deixar esse vestido aqui. Aí eles me doaram o vestido, que ficou aqui.

In Moda - E o que torna esse vestido inclusivo?

Drika - Esse vestido foi projetado inteirinho em metodologias científicas,  na tecnologia assistiva, que consiste em pegar produtos que já existem e adaptar pra pessoas com deficiências; e no Design Universal. Então aliando a tecnologia com o design universal, que é aí que tá a grande inovação dele, que não tinha isso ainda. Aí pensei em fazer um vestido , que nesse caso, seria o vestido de noiva pra que qualquer pessoa do mundo pudesse usar. Assim, é lógico que nos extremos, você não vai conseguir agradar todo mundo e nem conseguir fazer com que caiba e se adapte a todo mundo, mas ao maior número de pessoas possível. E esse vestido, ele foi dividido em corpete que veste por cima, acabou. A saia, ela tem uma regulagem de elástico, então ela serve tanto pruma pessoa mais gordinha,quanto pruma mais magrinha. Então aí você já matou o tamanho de manequim, o corpete, a mesma coisa, ele é regulável atrás, então já serve pra manequins diferentes. E... o grande truque tá na regulagem da saia, que não sei se você lembra, no... no... concurso, que a própria modelo pega e puxa a regulagem da saia e deixa ela no comprimento que ela quiser longa, média ou curtinha. E no caso de pessoa com deficiência pra não pegar na roda ou até de uma pessoa amputada, que usa muleta também precisa subir o vestido ou no caso de uma noiva que quer curtir a festa com um vestido mais curtinho. Ela mesma vai lá e, né? Já vai curtir a balada da festa e depois  deixa ele longo de novo! Então, prático e serve pra qualquer tipo de pessoa. Nisso que eu me foquei, no design universal – mesmo!


In Moda - Um dos prêmios para o primeiro lugar do Concurso de Moda Inclusiva foi o estágio na Vicunha Têxtil. Mas você também ganhou há pouco tempo uma bolsa para um curso e ganhou ssa bolsa com um outro projeto em moda inclusiva. Fala um pouco a respeito disso.

Drika - Coincidiu da Bel Passi voltar para o Brasil e abrir uma escola de empreendedorismo no mês que ia estar aqui fazendo o estágio na Vicunha. E eu fiquei louca! Só que eu nunca ia ter condições de pagar. Aí eles falaram que iam dar dez bolsas. Eu falei: Nem vou participar. Porque é sorteio, depois eu fico frustrada por não ganhar. – Mas daí eles deram um critério de não sortear. De...Por competência. Então você tinha um prazo de seis dias para desenvolver, implantar e mostrar os resultados de um projeto e mandar pra eles.Imagina: seis dias pra você fazer um TCC! Foi muito corrido.Mais seis dias sem dormir, roletando e trabalhando o dia inteiro nisso. E eu tenho uma amiga que ela descobriu, faz um mês, que tá com câncer. E coincidiu dela ir numa loja, desesperada, procurando blusinha porque ela não conseguia vestir já que ela operou e estava com o movimento do braço restrito.Ela não conseguia fazer isso aqui (movimento que fazemos com o braço quando estamos para vestir uma blusa ou camiseta), tinha que ficar com o braço só assim (mais encostado ao corpo). Então ela só podia vestir a roupa por baixo. Blusinha, top, isso é muito difícil. Não tem como vestir blusa por baixo. Aí, lá vai eu com a tesoura, dar um jeito nas blusas dela. Aí eu fiz um top, uma que amarrava por trás e...e...pra ajudar ela. Como surgiu essa ideia do projeto? Falei: Por que não usar ela no projeto? E ajudar de verdade né,  todas as pessoas, não só ela; que passam por isso. Daí eu desenvolvi três peças em um dia, no outro dia eu costurei as três peças e elas são extremamente simples. Blusinhas que dá pra vestir por baixo, uma tem velcro aqui (do lado) pra não pegar na cirurgia dela, dá pra passar  dreno e não precisa erguer a mão; a outra é de amarrar atrás do pescoço e a outra é uma blusinha que tem dois lacinhos, então você veste por baixo, amarra aqui e aqui ( as alcinhas são de amarrar sobre os ombros) e acabou. Essas três peças que eu fiz, uma coisa bem simples, mas que facilita a vida, e muito! Nisso já consegui apoio d.. em seis dias, da Secretaria da Cultura de Bauru, da Amigas do Peito de Bauru, que é um grupo de apoio à mulheres com câncer. Nesses mesmos seis dias teve o dia que ela raspou a cabeça porque o cabelo ia começar a cair. O meu(cabelo) era aqui (quase na cintura), eu doei mais de trinta centímetros para fazer peruca para pessoas com câncer de Bauru tmabém. Nã foi só pra ela, a Amigas do Peito faz peruca pra emprestar pra quem não tem condições de comprar, então isso foi bem legal! E...ela me ajudou. Já teve amiga dela que falou: Eu vou ajudar também. - Já vestiu a blusinha, já me ajudou a fazer o video, a matéria pra mandar.Aí eu enviei o projeto e ganhei essa bolsa também. Dez do país e eu soube que foram mais de cento e cinquenta inscritos e todos projetos ótimos. E eu tive a graça de ganhar uma dessas dez bolsas. E muita gente vem e fala assim: Nossa, que sorte heim! – Eu falo: Não é sorte, é competência! É muito diferente. Sorte se eu ganhasse na loteria. Competência é outra coisa.

                                   Samya e Lucas(In Moda) e Drika Valerio


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Entrevista: Fernando Lopes – Estudante de Educação Física (deficiente visual)

Em uma das turmas de Educação Física da universidade onde estudamos tem um aluno que chama a atenção não somente pela altura, mas também por ser deficiente visual. Imagine, realizar as tarefas de um curso como esse sem enxergar? Quantos de nós conseguiriam andar alguns metros com uma venda nos olhos sem tropeçar ou cair? Pois é... Agora, imagine como deve ser, para ele,  realizar outros tipos de tarefas como ir a uma loja comprar roupas? Esse estudante de educação física chamado Fernando Lopes nos contou. E essa entrevista você confere abaixo.



In Moda- Fernando, em que área da educação física você pretende trabalhar depois de formado?

 Eu pretendo trabalhar na área da educação especial, devido a algumas pessoas me procurarem, como pais com filhos deficientes visuais. Os filhos acabam sofrendo nas escolas com as atividades de educação física, acabam sendo excluídos por causa da falta de preparo de alguns profissionais.

In Moda- Fernando para você que tem deficiência visual, quais são as dificuldades que surgem na hora de comprar e escolher suas roupas e depois em casa para pegar no armário as peças que você quer?

Então,é assim, como eu já enxerguei e perdi a visão ao longo do tempo, tem uma memorização de tudo aquilo que eu vi quando eu enxergava. Então o que acontece? Quando eu perdi a visão, a primeira forma foi adaptar as coisas. Nem sempre vai ter uma pessoa à minha disposição pra eu falar : Ah, eu quero a roupa tal. Então, a opção foi separar , calças assim aqui; calças dessa cor ali, todas as camisas dessa cor, desse modelo, aqui...Você entendeu? Porque aí eu vou tateando,e  eu sei que caça tal vai estar lá e camisa tal também. Às vezes não acontece isso, mas na maioria das vezes é assim que funciona.

In Moda- E na hora de comprar essas roupas, como é que você faz, já que as lojas ainda não trabalham, por exemplo, com etiquetas em braile?

Então, na hora de comprar é junto com minha esposa ou junto com o meu amigo, que está aqui ao meu lado, o Mozart, que é um parceiro que está sempre comigo. É sempre perguntando pra ele como é que tá a tendência de moda, ele também já conhece um pouco do meu estilo, tipo de tênis que eu gosto, roupa...Mas quanto menos você depender, melhor pra você. Você sabe que sua capacidade vai aumentando, você vai a uma loja e não ter que pedir nada pro vendedor porque você sabe que vai colocar o dedo na etiqueta e vai ter a descrição do produto que você está procurando, entendeu? Isso é uma coisa muito benéfica, uma coisa maravilhosa que se vier a acontecer realmente vai ser muito bacana.

In Moda- Qual estilo de roupas você prefere?

Então, eu gosto muito de roupas em tecido tactel, tanto em calças, como em bermudas e bonés...É assim, tipo, eu não sou muito de usar jeans, eu odeio roupa social, só uso quando tenho que usar mesmo, em último caso. Então eu procuro sempre é...seguir nessa tendência...

In Moda- Esporte!

Fernando- Exatamente! Entendeu? Eu acho que é uma coisa que quando eu enxergava ficava muito bom e eu acabei adotando como um estilo fixo, entendeu?

Eu fiquei curiosa para saber se você já fez algum tipo de curso de mobilidade? (pergunta feita pela Carolina Custódio, que estava conosco durante essa entrevista)

Então, esse curso existe não se chama curso de mobilidade, ele se chama curso de AVDA – Atividade da Vida Diária.

Carol- Ah, que legal!

Fernando- É, um curso eu engloba várias coisas. Como guardar as coisas dentro da cozinha da sua casa, como você proceder para fazer um arroz, um feijão, um café... Tudo é técnica, porque você não vê, então você usa muito a técnica auditiva, o tato...Como você deixa as coisas na sala, no quarto, no guarda-roupas, no banheiro, entendeu? Aqui em São Paulo, a única Instituição que tem esse curso é a Fundação Dorina Nowill para cegos. A procura é muito grande, mas é uma coisa muito bacana.

In Moda- Eu fiquei sabendo que você arrasou em uma atividade de dança na faculdade. Como foi?

É,foi uma atividade de ginástica geral onde a gente tinha que desenvolver trinta e seis movimentos artísticos com e sem música. E aí, através dos professores- a nossa professor e o auxiliar de dança se propuseram a fazer comigo essa atividade , que não foi fácil! Tipo assim, eu não tinha final de semana porque tinha que ensaiar todo o dia, mas oi uma coisa bacana, emocionou a professora, que ficou chocada com os meus resultados. Ela não acreditava que seria possível isso acontecer. Ela até pediu desculpas, pois ela havia dito pro meu grupo que eles não conseguiriam realizar essa atividade comigo. E o pessoal conseguiu! Isso prova que a deficiência impõe limites só na cabeça dos outros

 

 
Samya(In Moda), Fernando Lopes e Mozart.